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Mais uma vez, incêndio criminoso.

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6 de abril de 2012 | N° 9501

EDITORIAIS

SERRA DO TABULEIRO

As chamas que destruíram entre 70 e 100 hectares do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, a maior Unidade de Conservação de Santa Catarina, deixaram para trás um cenário de devastação e irrecuperáveis danos à fauna e à flora da Mata Atlântica. A área atingida pelo incêndio, localizada na Baixada do Massiambu, em Palhoça, perdeu boa parte de sua cobertura, formada por vegetação de restinga, plantas rasteiras de terreno arenoso, araucária e florestas, que formam um bioma de rara riqueza e significado.

Espécies animais que têm seu hábitat na Mata Atlântica foram dizimadas pelas chamas, entre elas algumas ameaçadas de extinção, como o gato-do-mato, a lontra, o cachorro-do-mato, o tamanduá e o jacaré-de-papo-amarelo. Em nossa edição de ontem, que deu ampla e minuciosa cobertura a esta tragédia, a sequência de fotos de um filhote de capivara atravessando a rodovia para escapar do fogo foi um registro eloquente – e comovente – da dimensão da tragédia ambiental.

Com certeza foi criminoso e proposital o incêndio. A denúncia partiu de moradores da área, e os bombeiros confirmaram a hipótese, de vez que constataram que foram diversos e em locais distintos os focos das chamas. Na quarta-feira, já havia dois suspeitos identificados. É preciso ir fundo na investigação, pois crime de tal gravidade não pode ficar impune.

Também causa espanto – e revolta – a informação de que criadores de gado bovino costumam colocar seus rebanhos dentro dos limites das Unidades de Conservação, e têm o hábito de fazer queimadas na mata para renovar o pasto. Trata-se de um absurdo, na contramão de todas as práticas de defesa e preservação ambientais, aqui e onde quer que seja. Fica a pergunta que clama por resposta: quem autorizou e quem permite isto?

Recente relatório da Organização das Nações Unidas sob o título de Panorama Global da Biodiversidade toca, diretamente, na América Latina e no Brasil, que concentram mais da metade das florestas tropicais remanescentes, denunciando as práticas de desmatamentos e queimadas. Essas práticas primitivas e desinformadas tanto causam a destruição desses importantes biomas, patrimônios coletivos, quanto podem desencadear um ciclo vicioso de devastação e de modificação dos padrões de chuvas, em um tempo em que a água se torna cada vez mais escassa. Num futuro não muito remoto, esta escassez poderá ser a causa de conflitos entre povos e nações sedentos. Na Baixada do Massiambu e na Serra do Tabuleiro localizam-se diversos rios e fontes que abastecem a Capital e os municípios da região metropolitana.


Uma área de preservação da importância do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro precisa ser monitorada e receber cuidados permanentes. E dispor de constante vigilância da polícia ambiental. Recentemente, já foi aventada até mesmo a possibilidade de uma parte da área ser destinada à construção de pousadas e condomínios residenciais de luxo. Era só o que faltava. Talvez nessas solertes tentativas possam ser detectadas, também, pistas para identificar os autores do suposto crime ambiental.

Já não basta Santa Catarina ter mais de 20% do seu território (cerca de 2 milhões de hectares) formado por solos degradados em função de práticas agrícolas equivocadas e ocupação nociva?

No caso em tela, impõem-se investigações, providências e respostas que tardam. Tudo isso será cobrado.

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