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Uma injustiça amparada pela lei. Ou Um sonho destruído em nome da lei. Ou Vandalismo legal.

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Uma injustiça amparada pela lei.

Ou

Um sonho destruído em nome da lei.

Ou

Vandalismo legal.

Todos esses títulos ilustram o que ocorreu nos dois últimos dias no Porto da Lagoa. O campo da Sociedade Esportiva Palmeiras, ou simplesmente Palmerinhas, como os moradores carinhosamente apelidaram,  foi invadido e destruído por máquinas e homens-máquinas protegidos por escolta policial. Um ato de violência e selvageria que revoltou os pacíficos moradores da Comunidade assim mesmo, com “C” maiúsculo. Desde que me mudei pra cá (sou haule) em 2001 fui muito bem recebido pelos “nativos”. Como forma de demonstrar sua receptividade fui convidado a jogar no Palmerinhas, cujo campo fica no final da rua onde moro. Afinal, “o esporte faz amigos”, uma verdade que o “poder público” gosta de utilizar em campanhas políticas.  Joguei durante todos esses anos e entendi que o futebol, as pessoas, o campo e seu entorno são uma coisa só. Uma Comunidade, um Todo. E esse Todo é alimentado pela ligação entre suas partes. É mantido e preservado através, de sonhos, esperanças, amor, anseios e, claro, trabalho. Mas e o Palmerinhas? É a concretização de tudo isso. Surgiu de um sonho e tornou-se realidade através da união das pessoas através do amor, da esperança, da amizade e, é claro de muito trabalho. Um trabalho que começou há 50 anos, em 1962, quando o terreno era alagado e foi cedido aos moradores para que utilizassem como campo de futebol. Essas pessoas aterraram, gramaram e aos poucos transformaram aquele alagado no estádio AMAC (André, Manoel, Amauri, Cicilliano), nome dado em homenagem àqueles que iniciaram a concretização do sonho. Tudo isso é história. Já faz parte da cultura da comunidade. E aqueles que hoje integram a diretoria do Palmerinhas, pessoas jovens, têm orgulho em levar o nome do clube adiante e não se importam em perder as manhãs de sábado cortando grama ou pintando as marcações do campo com cal. Mas hoje, dia 10 de abril de 2012, o campo foi esburacado, as traves derrubadas, os vestiários demolidos e brita espalhado pelo campo para “garantir que não haja a menor possibilidade de que alguém venha a jogar bola no campo” – palavras do advogado que preparou a ação que reintegração de posse. Não vou descrever aqui como a situação chegou a esse ponto. Um longo processo cheio de equívocos culminou com a cena patética que presenciamos hoje: dezenas de Moradores da Comunidade esbravejando, sofrendo sem poder fazer nada, enquanto os tratores e homens (até crianças!) munidos de pá e picareta destruíam um sonho. Tudo isso sob “proteção” de policiais militares armados e preparados para o “combate”. O combate não veio, os gritos ecoaram no vazio e não chegaram nos ouvidos daqueles que deveriam trabalhar em proveito dos interesses da maioria. A cena não foi totalmente novidade pra mim, e apesar disso, ou talvez por isso mesmo me emocionei. Cresci em São Paulo jogando em campos de várzea, e presenciei o desaparecimento de todos, substituídos por condomínios e shopping centers. Hoje minha cidade natal tenta reverter o processo de desumanização, retomando os espaços para as pessoas. Será que Florianópolis vai ter que trilhar o mesmo caminho de ida e volta? Não seria mais fácil parar agora e preservar o que já temos?

É pra se pensar.

Por G. R. (morador do Porto da Lagoa)

Que quiser saber mais sobre o processo acesse o site: http://palmerinhas.blogspot.com.br/

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Uma resposta

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  1. Minha rua tinha um campinho, meio gramado, buraco e espinho, marcado linha por linha, bola rolava como convinha, pé descalço, chuteira de trava, qualquer idade, ali jogava – beleza de espaço: nossa comunidade sempre ganhava. De repente, fecha o tempo: futebol jogado de sol a sol, perde o riscado, vê a cor do cimento – de forma ordinária – invadir a área, jogada imobiliária, capaz de rasgar a grama, faz falta grave, derruba as traves, passa o rodo, trama a trama, assim no todo, brutal antishow, tremendo desmanche, mata qualquer chance de gol… Bate pronto – de resto – houve confronto, teve protesto… No Tapetão, suspensa a jogada, deixaram no chão, nossa bola furada… Fim do campeonato, ‘responsa’ de quem, o triste retrato, essa terra de ninguém?

    Delmar dos Santos Gularte

    novembro 7, 2012 at 5:43 pm


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