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Rio Vermelho Recuperado.

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Dia 04 de junho, véspera do Dia Mundial do Meio Ambiente, folheio o jornal e leio um artigo escrito por um engenheiro agrônomo que deve ter esquecido seu conhecimento, ou não estudou o assunto, pela postura e texto divulgado. É bem sabido que a introdução de espécies exóticas invasoras atualmente é um problema que afeta drasticamente a Biodiversidade e acarreta em perdas astronômicas de dinheiro, pelos danos ambientais e gastos milionários para controle das invasões.Fiquei abismado como o ego individual deste, querendo aparecer mais que a técnica, e sem argumentos racionais e lógicos partem para absurdas justificativas, como a que o Pinus não produz frutos para a fauna e por causa disso não quer dizer que seja imprópria, assim não pode ser considerada exótica? Além de tudo ainda desconhece a finalidade de uma Unidade de Conservação de Proteção Integral como o Parque Estadual do Rio Vermelho.

Post “Ao trabalho de Pedal”, aqui falo um pouco sobre o gigantesco problema do Pinus, espécie exótica invasora.

Assim sendo entrei em contato com a Chefe do Parque e com o Assessor de Imprensa da FATMA, para que fosse encaminhada uma resposta para o jornal a fim de esclarecer e informar corretamente para a população.

Resposta da Chefe do Parque ao Assessor de Imprensa da Fundação do Meio Ambiente do Estado de Santa Catarina.
-Segue artigo para divulgação que escrevi justificando a retirada da flora exótica do PAERVE em resposta ao artigo de acordo com contato feito pelo Biólogo Daniel Costa.

E o artigo publicada no Diário Catarinense em 7 de junho de 2012

ARTIGOS

Rio Vermelho recuperado

A Fundação do Meio Ambiente, órgão executor da política de meio ambiente do Estado de Santa Catarina e gestor de unidades de conservação estaduais, assumiu o compromisso, em 2007, a partir de acordo judicial decorrente de ação civil pública do Ministério Público Federal em Santa Catarina, de fazer o aproveitamento econômico da flora exótica existente no Parque Estadual do Rio Vermelho (PAERVE). Além disso, o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (Lei Federal 9.985/2000) estabelece que em unidades de conservação não devam ser introduzidas espécies exóticas. A base legal que se refere ao controle de espécies exóticas, em especial daquelas que são invasoras, possui embasamento científico na competição entre as espécies, conhecimento também de domínio, por exemplo, de agricultores e agrônomos que estão sempre na busca de controlar as chamadas espécies ‘daninhas’ através da capina manual ou do uso de herbicidas. Como em unidades de conservação de proteção integral prima-se pelo pleno desenvolvimento do potencial da biodiversidade nativa, e no caso do PAERVE já temos registrado nas áreas conservadas, por exemplo, 169 espécies vegetais e 106 espécies de aves, a presença dos pinheiros americanos representa elevada competição visto que ocorrem no mesmo tipo de ambiente que as plantas de restingas (áreas abertas, a pleno sol), se reproduzem em grande quantidade (cada árvore adulta gera cerca de 2.448 plântulas/ha/ano), e quando crescem impedem o desenvolvimento das nativas pelo sombreamento. Portanto, o objetivo da retirada das espécies exóticas do PAERVE é de propiciar condições para o pleno desenvolvimento da flora e fauna dos ecossistemas costeiros da região, o que é de grande relevância no contexto nacional em que apenas 1,5% destes ecossistemas se encontram protegidos pelos motivos já bem conhecidos e que vivenciamos todos os dias nesta cidade.

Elaine Zuchiwschi – Eng. Agrônoma e chefe do Parque Estadual do Rio Vermelho

Publicado no Diário Catarinense em 4 de junho de 2012
ARTIGOS
Parque do Rio Vermelho, por um Eng. agrônomo
Em agricultura, plantas ou animais exóticos são os que se encontram no país, provenientes do estrangeiro. Assim, o argumento de que é preciso eliminar os pinus do Parque do Rio Vermelho por se tratarem de árvores exóticas não tem cabimento. Tal justificativa só pode estar sendo usada por pessoas que não sabem do que falam, ou que professam ideologias no mau sentido da palavra: o da deturpação dos fatos, ou da realidade.
Ao admitir-se correta a decisão de eliminar uma planta (no caso, o pinus) por ser exótica, ter-se-ia que suprimir o cultivo do arroz, da soja, da cana e de todas as plantas cítricas porque vieram do continente asiático. Também, do café e do algodão, originários da África, bem como do trigo, da aveia, da cevada, do centeio, da maçã, da uva, do pêssego, da ameixa, que os imigrantes trouxeram da Europa.
Outro aspecto importante a ser lembrado está no fato de que qualquer floresta plantada com uma só espécie que não produza frutos comestíveis pelos animais silvestres, seja ela nativa ou exótica, torna-se imprópria para a biodiversidade da flora e da fauna que se deseja num parque florestal destinado ao uso público. Por isso, e não por ser exótico, pode-se justificar o raleio da floresta de pinus do Parque do Rio Vermelho e nele plantar as mais variadas e possíveis espécies de plantas.
Importa, porém, que não se derrube uma só árvore sem que seja plantada, no mínimo, outra no lugar. Se assim não for, o corte do pinus corre o risco de vir a ser mera devastação com o fim de levantar um bom dinheiro na venda das toras, seguindo-se o loteamento da área por aqueles que vêm degradando a Ilha de Santa Catarina.

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Written by danielbiologo2

junho 7, 2012 às 11:22 am

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