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Archive for março 2013

URBANIDADE À FORÇA

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Publicado no Diário Catarinense, de 31  de março de 2013 | Com imagens inseridas por mim.

EDITORIAL

URBANIDADE À FORÇA

brasaoO Brasil é um país que cria leis para obrigar o cumprimento de outras leis. A constatação da historiadora fluminense Mary del Priore, em recente entrevista, resume bem o paradoxo existente entre o país real e o país legal. No primeiro, estimuladas por séculos de transgressões, jeitinhos e impunidades, as pessoas descumprem normas elementares de convivência furam filas, jogam lixo no chão, ouvem música em alto volume, não recolhem o cocô do cachorro, desrespeitam regras de trânsito, tentam levar vantagem em tudo. No segundo, legisladores de todas as instâncias federativas elaboram leis algumas verdadeiramente absurdas com a intenção de implantar urbanidade à força. Muitas delas são simplesmente ignoradas pelos cidadãos.

Assim tem sido neste país em que a cultura, os interesses, as práticas sociais e as questões jurídicas se revelam muitas vezes incompatíveis. Existe lei para tudo, mas raramente ela é acompanhada de vontade política, de fiscalização e de força coercitiva para que seja efetivamente aplicada. É muito fácil atribuir todas as mazelas de comportamento à falta de educação do povo. Se só tivéssemos cidadãos educados e conscientes de seus deveres, obviamente que não precisaríamos de leis. Mas a realidade é outra: no seu conjunto, a população brasileira abrange bons e maus cidadãos, honestos e desonestos, responsáveis e irresponsáveis, obedientes e infratores. Não se pode esperar que apenas os íntegros tenham protagonismo nos fatos.

Temos que investir cada vez mais em educação, é verdade, tanto na formal quanto na familiar. Mas essa providência, que tende a levar décadas até se transformar numa cultura satisfatória de convivência civilizada, não deve impedir uma revisão de conduta permanente do que continuamos fazendo agora. Mesmo que nos falte uma base sólida, talvez possamos manter de pé o edifício da civilidade evitando a sobrecarga de maus exemplos no andar de cima. Vale para governantes, para legisladores, para representantes de todos os poderes e também para servidores públicos de todos os níveis. E inclui-se aí o excesso de leis inúteis e inaplicáveis que nossos legisladores continuam produzindo por oportunismo ou mesmo por pura demagogia.

Neste contexto, embora seja igualmente fantasioso, conforta pensar que todo esse emaranhado de códigos e regramentos poderia ser substituído pela Constituição Federal sugerida pelo também historiador Capistrano de Abreu, com apenas um artigo e um parágrafo: Art. 1º Todo brasileiro deve ter vergonha na cara. Parágrafo único: Revogam-se as disposições em contrário.

naofoiacidenteExiste lei para tudo, mas raramente ela é acompanhada de vontade política, de fiscalização e de força coercitiva para que seja efetivamente aplicada.

Written by danielbiologo2

março 31, 2013 at 1:10 pm

Publicado em Textos recebidos

Sobre duas rodas , por Cris Guerra

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Sobre duas rodas , por Cris Guerra | 13 de Março de 2013

Em dezembro passado, abor­­dei nesta coluna o caos do trânsito de BH, onde a frota de carros praticamente duplica a cada dez anos. Cumpri bem o trajeto do início ao meio do texto, mas derrapei na linha de chegada e levei um tombo feio. Depois de apresentar os ingredientes pa­­­­ra um trânsito caótico, critiquei as novas ciclovias, aparentemente pou­­co utilizadas, incomodada pe­­la impressão de que elas foram feitas apenas para dar uma satisfação ao cidadão belo-horizontino – e de que sua existência fará pelo trânsito o mesmo que buzinar no engarrafamento. Ironizei o uso das duas rodas como alternativa de transporte, acusando a difícil topografia da cidade.

Acabei por errar o alvo: a crítica atingiu seus usuários, e não as tais vias, gerando dezenas de respostas furiosas. Pela prontidão e veemência de suas reações, entendi que, mais que ciclovias, os ciclistas urbanos querem respeito – traduzido na simples atitude de serem compreendidos como parte integrante do trânsito.

Entre os críticos havia os radicais, que, no extremo oposto, cometiam o erro da generalização, rotulando todo motorista como grande inimigo ou assumindo a postura de salvadores do mundo só por escolherem a bicicleta. O caráter de uma pessoa não pode ser medido por seu meio de transporte, foi o que insisti em dizer. E dei continuidade ao diálogo com os que estavam interessados em uma discussão de alto nível.

Dois meses depois, cheguei pedalando à Praça da Estação, passando sobre a fonte luminosa para que a água me refrescasse da viagem. Ali, concentravam-se centenas de ciclistas para uma manifestação chamada “Massa crítica”: um “pedalaço” que interfere na rotina da cidade para provocar a discussão sobre a mobilidade urbana. Fiz isso, claro, devidamente escoltada por um grupo que demonstrou incrível senso de coletividade, coisa que não encontramos no trânsito motorizado. E senti na pele a importância de haver ciclovias, segregadas, para a segurança de quem nelas transita. Principalmente em uma cidade hostil a esse meio de transporte, considerado aventureiro pelo senso comum.

Se meu texto equivocado acabou provocando uma discussão importante, participar do passeio na noite de 22 de fevereiro operou em mim uma mudança de que argumento algum seria capaz. Ao me colocar literalmente no lugar dos ciclistas, fui seduzida por uma nova forma de estar na cidade. Desprovida de meu escudo de vidro e lata, eu me inseri no co­­tidiano da metrópole: ouvi conversas, senti aromas, olhei nos olhos dos transeuntes. Abandonei a solidão do carro para finalmente experimentar o conceito do coletivo. As ruas se tornaram local de encontro, e não apenas de passagem de motoristas furiosos e impacientes.

A experiência acordou de um sono profundo a menina que apostava corridas de bicicleta com a prima, no Belvedere, no tempo em que o bairro ainda não havia sido murado pelos edifícios. Pedalar pelas ruas me rejuvenesceu e me encheu de vida. É fácil construir ciclovias. Difícil é reformar uma mentalidade que despreza seu papel e ainda cultua o tamanho dos carros como sinônimo de status e poder. As discussões e os quilômetros percorridos me fizeram finalmente entender: não se trata de convencer os motoristas a trocar seus carros por bicicletas. É utopia imaginar uma cidade inteira que a curto prazo adote meios não motorizados de transporte. Mas é questão de sobrevivência (e não só de legislação) lutar para que aqueles que fizeram tal opção tenham seu devido espaço e segurança. Por um motivo simples: cada um sobre duas rodas é um carro a menos nas ruas. O que, no final das contas, faz diferença no dia a dia de qualquer cidadão, esteja ele sobre um selim ou no banco de um carro de luxo. Questão de inteligência, e não de altruísmo.

Retirado de vejabh.abril.com.br

Written by danielbiologo2

março 14, 2013 at 5:18 pm

Publicado em Textos recebidos

Por que protestar de bicicleta pelado/a

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publicada

 Não ia me incomodar em responder ou explicar para cada pessoa que, com um  comentário maldoso, condenou ou julgou os/as ciclistas que no sábado, tiraram  as roupas, pintaram os corpos, e foram pedalar por mais segurança, mais  atenção, mais paciência no trânsito.
 Parti do pressuposto de que, quem critica, lê, busca informações, faz pesquisas, e  por fim, critica e dá uma sugestão, e mais, toma alguma atitude para tornar as  coisas melhores.
 Comentários, críticas, diferentes tipos de opiniões são sempre possíveis, são  saudáveis quando não agridem homens e mulheres, são importantes para  refletir sobre novos modos, novas atitudes, novos conceitos e possibilidades.  Todos tem o direito de falar o que quiser, sem dúvida, mas se informem antes,    por favor.
 Pois então meus caros e caras, para quem só bastou chamar de putas as  mulheres que mostraram os seios, e chamar de tantos outros nomes os homens  que se despiram e pedalaram sob suas bicicletas, explico, carinhosamente, por  quê dessa atitude.
Todo ano, milhares de pessoas morrem em decorrência de acidentes de trânsito envolvendo automóveis, todos os dias, um ciclista é desrespeitado/a, atropelado/a e morto/a. Deve ter alguma coisa de errado. Bicicleta é o meio de transporte mais limpo, mais econômico, menos barulhento, agressivo, e mais seguro do que qualquer outro. Por que tantas mortes? Por que tantos ciclistas sendo vítimas da alta velocidade e desrespeito/a por parte de motoristas?
Sou ciclista, meus amigos/as são ciclistas, muitas pessoas podem ser ciclistas, e precisamos urgentemente que mudanças ocorram no estilo de vida nas cidades, já entulhadas de carros, de poluição, barulho e violências de todos os tipos.
Protestar pelado/a é uma forma de chamar a atenção, é mostrar o quanto estamos desprotegidos frente uma sociedade habituada com o estresse e a pressa, é nos fazermos ver, agitar, mexer, perturbar quem não quer nos enxergar nos cantos das ruas. E eu te digo, é menos perturbador um ciclista pelado/a do que um atropelado/a…
Não se preocupem, pedalamos pelados/as só um dia do ano, os outros 364 estamos com roupas, refletivos, capacetes, luzes, luvas, e quando nos vir, reduza a velocidade, respeite, cuide, tenha paciência. Seja amigo/a de um/a ciclista, seja um/a também.
Agora, para quem mesmo assim continua achando que tudo não passou de uma putaria (como ouvi pessoas dizendo) uma bagunça despropositada, faço mais um convite – carinhoso também: se informe, ame seu corpo, ame sua cidade, pare de só criticar e tome atitude e coragem, e tente mudar alguma coisa que você acredita para melhor. Depois vem andar de bicicleta comigo, e me conta se foi fácil.

Texto de Gabriela Grimm, publicado no Facebook do Bicicletada Floripa em 11/03/2013.

Written by danielbiologo2

março 13, 2013 at 10:22 pm

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Ciclista não atrapalha!!!

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Tenho visto muitos comentários criticando agressivamente os Ciclistas, dizendo que atrapalhamos o trânsito….o que eu acho engraçado é que sempre que pedalo na cidade, sou obrigado a ficar desviando de carros e outros motorizados presos em congestionamentos que eles mesmos criam.
Mas a “raiva”de ver os ciclistas passando rindo, sem estresse, é tão grande…ou seria inveja? Que estes, não percebem que eles é quem estão presos por opção e que somos nós os ciclistas, aliás cada ciclista é um carro a menos na rua, que estamos contribuindo e melhorando o fluxo nas ruas.

congestionamento

Mas quer utilizar o poluente e usurpador de espaço público?
faça pelo menos respeitando o CTB e o Bom Senso,
tua vida, a minha vida, nossas vidas agradecem!

Sim, mobilidade não é transitar em altas velocidades, responsáveis por grande parte das mortes e vítimas…..amputações, mobilidade urbana é o cidadão poder optar pelo transporte ativo (a pé ou em Bicicletas) e a integração com um transporte coletivo eficiente todos com segurança, sendo o carro a última e insustentável opção. Mobilidade no sentido de movimento, é fluxo….lembrem-se;

Congestionamento não é um problema,
é apenas uma relação causa X efeito.”

transporte ativo!

transporte ativo!

Written by danielbiologo2

março 11, 2013 at 12:14 am

Publicado em Pedalando por aí...

Atropelada…

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atropelada

Só “sabemos”alguns….

Esta Bicicleta encontrei enquanto trabalhava em Palhoça/SC, questionei locais sobre ela, me falaram foi uma moça que ia  para a padaria, bem cedo….provavelmente comprar um pão fresquinho para a família.

Um motorizado em velocidade a atropelou…não sei de mais nada!

Apenas “imagino com certeza”…… era uma mãe, que todo dia pegava seu veículo e ia até a padaria comprar o pãozinho de cada dia, os filhos em casa se arrumando para a escola, esperando a mãe….será que ela voltou para casa?

Em Santa Catarina 94% dos chamados acidentes de trânsito, não são acidentes, são “propositais”!!!???
Sim, pois se o limite da via é de 40Km/h e o indivíduo se “acidenta” a sessenta, oitenta, 100Km/h………………………….

NÃO FOI ACIDENTE.

Este motorista assumiu o risco e consciente disso, apenas tem a quase certeza da IMPUNIDADE como escudo e assim, a chacina em nosso trânsito continua.
Da mesma forma ultrapassagens em locais proibidos, estacionar em locais proibidos, conversões em locais proibidos…..PROIBIDOS = Imprudência, irresponsabilidade, falta de Bom Senso e Inteligência a uma grande parcela de motoristas, são os verdadeiros responsáveis pelas dezenas de milhares de mortes em nosso trânsito.

RESPEITAR o Código de Trânsito, é RESPEITAR a VIDA, não são regras arbitrárias e inventadas apenas, são anos de experiências e estudos técnicos para conferir segurança no trânsito para todos.