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Archive for the ‘Textos recebidos’ Category

Antes que…..perdi?

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Anos atrás meu Pai me mostrou este texto.
Eu mesmo acabei dando para alguns amigos, e tenho lido para tantos outros.

Volta e meia me emociono lendo de novo, volta e meia com lágrimas nos olhos….
Hoje, 14/09/2015,  fazem mil cento e quarenta e dois dias que não vejo minha filhota…
1136Não tenho palavras, nem sei expressar meus sentimentos….
Choro por dentro, choro por minha filha…

Antes que elas cresçam

Affonso Romano de Sant’Anna


Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos.

É que as crianças  crescem. Independentes de nós, como árvores, tagarelas e pássaros estabanados, elas crescem sem pedir licença. Crescem como a inflação, independente do governo e da vontade popular. Entre os estupros dos preços, os disparos dos discursos e o assalto das estações, elas crescem com uma estridência alegre e, às vezes, com alardeada arrogância.

Mas não crescem todos os dias, de igual maneira; crescem, de repente.

Um dia se assentam perto de você no terraço e dizem uma frase de tal maturidade que você sente que não pode mais trocar as fraldas daquela criatura.

Onde e como andou crescendo aquela danadinha que você não percebeu? Cadê aquele cheirinho de leite sobre a pele? Cadê a pazinha de brincar na areia, as festinhas de aniversário com palhaços, amiguinhos e o primeiro uniforme do maternal?

Ela está crescendo num ritual de obediência orgânica e desobediência civil. E você está agora ali, na porta da discoteca, esperando que ela não apenas cresça, mas apareça. Ali estão muitos pais, ao volante, esperando que saiam esfuziantes sobre patins, cabelos soltos sobre as ancas. Essas são as nossas filhas, em pleno cio, lindas potrancas.

Entre hambúrgueres e refrigerantes nas esquinas, lá estão elas, com o uniforme de sua geração: incômodas mochilas da moda nos ombros ou, então com a suéter amarrada na cintura. Está quente, a gente diz que vão estragar a suéter, mas não tem jeito, é o emblema da geração.

Pois ali estamos, depois do primeiro e do segundo casamento, com essa barba de jovem executivo ou intelectual em ascensão, as mães, às vezes, já com a primeira plástica e o casamento recomposto. Essas são as filhas que conseguimos gerar e amar, apesar dos golpes dos ventos, das colheitas, das notícias e da ditadura das horas. E elas crescem meio amestradas, vendo como redigimos nossas teses e nos doutoramos nos nossos erros.

Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos.

Longe já vai o momento em que o primeiro mênstruo foi recebido como um impacto de rosas vermelhas. Não mais as colheremos nas portas das discotecas e festas, quando surgiam entre gírias e canções. Passou o tempo do balé, da cultura francesa e inglesa. Saíram do banco de trás e passaram  para o volante de suas próprias vidas. Só nos resta   dizer “bonne route, bonne route”, como naquela canção francesa narrando a emoção do pai quando a filha oferece o primeiro jantar no apartamento dela.

Deveríamos ter ido mais  vezes à cama delas ao anoitecer para ouvir  sua alma respirando conversas e confidências entre os lençóis da infância, e os adolescentes cobertores daquele quarto cheio de colagens, posteres e agendas coloridas de pilô. Não, não as levamos suficientemente ao maldito “drive-in”, ao Tablado para ver “Pluft”, não lhes demos suficientes hambúrgueres e cocas, não lhes compramos todos os sorvetes e roupas merecidas.

Elas cresceram sem que esgotássemos nelas todo o nosso afeto.

No princípio  subiam a serra ou iam à casa de  praia entre embrulhos, comidas, engarrafamentos, natais, páscoas, piscinas e amiguinhas. Sim, havia as brigas dentro do carro, a disputa pela janela, os pedidos de sorvetes e sanduíches infantis. Depois chegou a idade em que subir para a casa de campo  com os pais começou a ser um esforço, um sofrimento, pois era impossível deixar a turma aqui na praia e os primeiros namorados. Esse exílio  dos pais, esse divórcio dos filhos, vai durar sete anos bíblicos. Agora é hora de os pais na montanha  terem a solidão que queriam, mas, de repente, exalarem contagiosa saudade daquelas pestes.

O jeito é esperar. Qualquer hora podem nos dar netos. O neto é a hora do carinho ocioso e estocado, não exercido nos próprios filhos e que não pode morrer conosco. Por isso, os avós são tão desmesurados e distribuem tão incontrolável afeição. Os netos são a última oportunidade de reeditar o nosso afeto.

Por isso, é necessário fazer alguma coisa a mais, antes que elas cresçam.

 

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Written by danielbiologo2

setembro 14, 2015 at 10:44 pm

Conforto Térmico

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Conforto Térmico

27 de janeiro de 2015

O Conforto Térmico, para quem transita em Bicicleta, se resume basicamente a sombra e ventos que alcançam o ciclista em seu caminho. Percebo a falta que as árvores fazem em nossas pedaladas pela Grande Florianópolis.

Neste sentido é que como biólogo e ciclista, recomendaria o plantio de árvores ao logo de nossos passeio e ciclovias, e não somente uma ou outra palmeira como ocorre com a Av.Beira Mar Norte!

trompowskyCiclofaixa na Av. Trompowsky com árvores sombreando e conferindo conforto térmico emtre outros.
Percebe-se a enorme diferença de temperatura ao sair das ruas “desmatadas” e entrar nas arborizadas, o calor infernal da ciclovia da Av, Beira Mar Norte pelada de árvores, e o frescor da sombra nesta rua.
Foto feita em 27/01/2015

Neste sentido é que temos certeza que o plantio de árvores adequadas a cada local, favoreceriam o transporte ativo, seja caminhando ou  pedalando e logicamente e a Qualidade de Vida de toda a cidade.

Replico abaixo um pequeno texto falando das árvores Urbanas;

ÁRVORES URBANAS

Hora ou outra são lançadas campanhas que incentivam o plantio de árvores em áreas urbanas, as quais, na maioria das vezes, são promovidas por organizações não governamentais. Esta prática ainda é realizada, em menor frequência, mas com alta divulgação, por setores governamentais e pela iniciativa privada, quando o maior objetivo é o marketing.

O importante aqui é entender que o plantio de árvores nas cidades tem aumentado e, consequentemente, tem contribuído com o crescimento e manutenção das florestas, dos parques e dos bosques urbanos. Entretanto, muitos de nós, moradores dos centros urbanos, temos uma visão bastante pontual sobre a função das árvores, ou seja, nossa compreensão muitas vezes fica limitada às funções de sombreamento e paisagismo.

Nesse sentido, é importante destacar que os benefícios das árvores no meio urbano vão muito além da produção de sombra e da beleza paisagística. A presença de árvores nas cidades traz diversas outras vantagens à população humana, entre as quais podem ser destacadas:

– Infiltração de água no solo: as árvores facilitam a infiltração e a condução da água no solo, pois mantém os solos menos compactados e contribuem, portanto, para a redução do escoamento superficial e da ocorrência de enchentes;

– Redução da sensação térmica: além da sombra, a absorção da radiação solar e a transpiração de vapor de água das árvores contribuem diretamente para a redução da sensação térmica, tanto ao redor das árvores quanto na área de projeção da copa;

– Atenuação da poluição sonora: as árvores atuam como barreiras contra pequenos ruídos. Essa atenuação torna-se mais eficiente em locais com árvores adensadas, como em bosques e florestas urbanas;

– Quebra vento: a presença de árvores tem efeitos diretos sobre o regime dos ventos, pois funciona como uma eficiente barreira capaz de diminuir a velocidade e a direção dos ventos. Isso pode evitar que ventanias causem prejuízos às casas e às outras construções feitas pelo homem, como a destruição de telhados;

– Liberação de oxigênio e absorção de poluentes: além da liberação de oxigênio, que ocorre durante o dia, vários poluentes em suspensão são absorvidos pelas árvores. O principal poluente é o carbono, o qual as plantas tendem a absorver e estocar em maiores quantidade na fase inicial de desenvolvimento;

– Microhábitats para a fauna: além de servir como abrigo e local de reprodução, principalmente de aves, insetos e morcegos, as árvores são fontes de produção de alimentos para fauna e, dependendo da espécie vegetal considerada, os frutos produzidos são próprios para o consumo humano;

Tomados em conjunto, os benefícios advindos da plantação e da manutenção de árvores urbanas indicam que podemos e devemos plantar mais árvores no meio urbano. Contudo, deve-se buscar sempre orientação de quais espécies são mais adequadas para o plantio em determinado local, de modo a evitarmos a disseminação de espécies exóticas, principalmente aquelas que potencialmente podem se tornar invasoras e de escolhermos espécies cujo crescimento e tamanho sejam compatíveis com a área escolhida para o plantio. Uma boa recomendação, antes de decidirmos plantar uma árvore, é consultar um profissional qualificado para tal fim.

Retirado de ENVOLVERDE

Written by danielbiologo2

janeiro 27, 2015 at 6:02 pm

O Filho da guerra.

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filhodaquerraJones- Sim eu fui para a guerra, eu vivi problemas e tive crises, sobrevivia em um ambiente hostil…

Sarah- Não importa, aqui era para ser tua casa, e você trouxe a guerra junto.

Jones- Pode ser, mas não justifica você querer se vingar usando meu filho.
 Sarah- Vou fazer o que eu quiser, e vais pagar caro por ter destruído a casa.

Jones- Não destruí nada, tudo continua igual…

Sarah- Não adianta já tomamos a decisão, e não preciso de você, meus pais irão ajudar a você nunca mais se aproximar do Stevie, você já era…

Jones- Um dia você vai se arrepender, teu ódio e dinheiro não sustentarão isso por muito tempo.

Sarah- Isso é meu problema e se você chegar perto ou tentar contato com ele, coloco toda a máfia no teu encalço….

Jones- Sei, imagino o que são capazes, mas…..

Sarah- Deixa de mas, acabou, você já era, volta para tua guerra e se possível morre lá mesmo….

Jones- Você está doente!

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novembro 18, 2014 at 12:00 am

Publicado em Diálogos, Textos recebidos

“Pai e mãe devem ser presença constante na vida do filho”

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paiefilhaseparados
“Pai e mãe devem ser presença constante na vida do filho”

Considerada a maior especialista do País em educação infantil e de jovens, a psicóloga diz que, quando acontece a separação, a decisão de não compartilhar a guarda da criança é uma forma de punição

por Paula Rocha

PARA SEMPRE
“Existe ex-marido e ex-mulher, mas não ex-filho”, diz

Com mais de 30 anos de experiência em clínica, supervisão e docência, a psicóloga paulistana Rosely Sayão é considerada a maior especialista do País em educação de crianças e adolescentes.

“Muitas mulheres disputam a guarda dos filhos como se fossem
um bem. Os maiores prejudicados com isso são os próprios filhos”

Formada em psicologia pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Campinas (SP), ela se tornou referência em relações familiares ao apresentar o programa “Seus Filhos”, na rádio BandNews FM, e por assinar há mais de duas décadas uma coluna no jornal “Folha de S.Paulo”, além de ter lançado os livros “Família: Modos de Usar” (Editora Papirus, 2006), “Em Defesa da Escola” (Papirus, 2004) e “Como Educar meu Filho?” (Publifolha, 2003). Mãe da educadora Camila, 39 anos, e do instrutor de ioga Fábio, 35, Rosely, nesta conversa com a ISTOÉ, discorre sobre o Projeto de Lei 117/13, aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado, que tornará a guarda compartilhada regra, mesmo em caso de disputa ou desacordo entre pais divorciados. O projeto ainda será votado pelo plenário.

“Ainda vai levar um tempo até que a sociedade entenda e internalize
a ideia de que o homem tem plena condição de dar conta da criança sozinho”

Qual é o principal avanço do projeto de lei que torna a guarda compartilhada regra nos casos em que não há consenso entre os pais?

ROSELY SAYÃO – O principal avanço é tentar garantir por lei o direito da criança de conviver igualmente tanto com o pai quanto com a mãe. É uma lei de proteção à criança. Quando um bebê nasce, a maioria tem pai e mãe conhecidos e, em geral, unidos. Esse novo projeto tenta garantir que os filhos continuem a viver nessa configuração, independentemente da separação dos pais. No entanto, o fato de a gente ter essa lei não garante uma mudança de conceito e de mentalidade. Mesmo que formalmente a guarda compartilhada seja regra, o pai ou a mãe podem inviabilizar isso. Então temos que trabalhar também para mudar a mentalidade a respeito desse assunto.

Quais são as maiores vantagens para os filhos desse tipo de guarda?

ROSELY SAYÃO –
Quando um casal se une e decide ter filhos, ambos deveriam se lembrar que existe ex-marido e ex-mulher, mas não ex-filho. É preciso que a criança tenha essa garantia de crescer e se desenvolver na companhia dos dois pais. Cada pessoa tem um estilo de ver a vida, um estilo de amar, de dar bronca, de ter paciência ou impaciência. É importante que a criança conviva com esses dois estilos diferentes, do pai e da mãe, porque dessa forma ela aprende a se relacionar com pessoas distintas e a reconhecer a diferença. Essa é a maior vantagem da guarda compartilhada.

Na guarda compartilhada, existe uma forma ideal de dividir o convívio e os cuidados com os filhos? Como pai e mãe separados podem chegar a um equilíbrio?

ROSELY SAYÃO -Não há uma fórmula ideal. A guarda compartilhada não se mede pelo tempo que o pai e a mãe passam com a criança, mas pela dedicação e pela disponibilidade de cada um. Os casais que ainda estão juntos compartilham naturalmente a responsabilidade pelos filhos, seja na hora de buscar na escola, seja na hora de cuidar, ou de sair de casa. A guarda compartilhada é uma possibilidade e uma tentativa de resguardar essa alternância da criança com o pai e a mãe. Mas nós não precisamos entender essa guarda de um modo quadrado, como se fosse obrigatório a criança ter duas casas, ficar tais dias com um e tais dias com o outro. Se o ex-casal consegue se acertar e dialogar, isso é o de menos. E cada família pode encontrar suas maneiras de praticar isso.

E como o ex-casal deve estipular regras? É ideal que a criança tenha as mesmas normas na casa do pai e da mãe?

ROSELY SAYÃO –
O ideal para a criança é que seus pais conversem, se entendam e negociem algumas posições fundamentais, mas só as fundamentais. Por exemplo, quando o filho chegar à adolescência, ele poderá ir para a balada ou não? É fundamental que pai e mãe concordem nesse ponto. Agora, se a criança vai tomar banho todo dia ou não, a que horas ela vai dormir, se vai almoçar em frente à televisão ou não, tudo isso não precisa de acordo. É bom para a criança entender que em cada contexto há uma série de regras distintas a seguir. Não é necessário criar uma situação artificial em que as regras são as mesmas nos dois ambientes. Pai e mãe não precisam ter um mesmo discurso. As crianças são mais capazes do que nós, adultos, de viver na diversidade. Os pais também não devem julgar as regras um do outro. Eu ouço muito isso hoje. As mães me dizem: “Quando meu filho volta da casa do pai, volta achando que pode tudo”. Mas é só restabelecer e reforçar as regras da casa que a criança pode até reclamar, mas entra no jogo.

O que a sra. acha que deveria ser feito quando um dos ex-cônjuges se recusa a praticar a guarda compartilhada?

ROSELY SAYÃO -Quando ocorre uma separação, em geral há uma briga por bens, e hoje os filhos são considerados um bem. Na nossa sociedade do consumo, os filhos se tornaram uma posse. E a mulher, em geral, ainda se sente prejudicada quando ocorre uma separação, mesmo quando a iniciativa parte dela. É interessante isso. Voltando na história, a função do homem era ser o provedor, enquanto a mulher administrava o lar e a família. Quando um casamento chegava ao fim, a mulher saía prejudicada mesmo, pois ela passava a vida sem aprender um ofício e, de repente, na meia-idade ou na velhice, se via sozinha dependendo da boa vontade e de uma mesada do ex-marido. Os tempos mudaram, hoje a mulher não depende mais financeiramente do marido, mas essa sensação ainda persiste. Então, muitas mulheres disputam a guarda dos filhos como se fossem um bem. E elas não se dão conta de que os maiores prejudicados com isso são os próprios filhos. Elas pensam “o filho é meu”. Mas acredito que, em um conflito, sempre é possível o diálogo. É preciso ouvir o outro e ceder, em prol do bem das crianças. Os filhos sofrem muito quando o pai e a mãe brigam. Os pais nesse momento têm de lembrar que serão pais até que a morte os separe. Precisam engolir mágoas e conter raivas.

Desde 2008, uma alteração no código civil contempla a guarda compartilhada. No entanto, a maioria do Judiciário brasileiro continua estabelecendo guardas unilaterais, geralmente para a mãe. Por que isso acontece?

ROSELY SAYÃO -É uma questão cultural e histórica. Antigamente, era função da mãe ser responsável pelo cuidado e pela educação dos filhos. Hoje, as mães trabalham tanto quanto os pais, e o cuidado das crianças é um dever de ambos. Mas ainda vai levar um tempo até que a sociedade entenda e internalize a ideia de que o homem também tem plena condição de realizar essa função. Muitos homens já dão conta das crianças sozinhos.

Ainda existe muito preconceito em relação aos homens que executam funções consideradas maternas?

ROSELY SAYÃO -Sim, existe preconceito por parte de todos na sociedade. Não apenas da Justiça, mas também de muitas mães e, inclusive, dos próprios pais. Nossa maior dificuldade hoje é superar essa posse que a mulher tem da maternidade, como se ela fosse quase 100% responsável pelo filho. A mãe muitas vezes acha que só ela sabe fazer as coisas. E isso é reflexo da questão histórica. Era assim mesmo. Tanto que, até hoje, quando casais compartilham os cuidados com a casa e os filhos, a mulher diz “meu marido ajuda”. Se ele ajuda, é porque a responsabilidade é dela, e o marido é apenas um colaborador. Mas essa visão está errada. Nós precisamos avançar muito nesse sentido. A mãe não é a detentora única da habilidade de cuidar e de educar os filhos. Não é só do jeito dela que a criança fica bem. O jeito do pai também pode ser bom. Mas a mãe tem essa atitude “eu sei, eu cuido, eu faço, deixa comigo”. Muitas crianças perdem o convívio com o pai porque a mãe prefere dar conta de tudo sozinha.

Quais são os maiores prejuízos que uma criança em guarda unilateral pode sofrer?

ROSELY SAYÃO -Acredito que o maior prejuízo é considerar o pai ou a mãe uma visita. Me espanta muito esse termo “visita”, usado inclusive legalmente. Quando a guarda das crianças é da mãe, a Justiça determina dia de visita para o pai. Mas pai não é visita. Como é que um pai pode ser denominado visitante do filho? Isso me deixa absolutamente espantada. Visita implica alguém fora do convívio familiar. E o pai e a mãe devem ser uma presença constante na vida do filho, mesmo na ausência física. Outro prejuízo é a criança passar boa parte de sua vida submetida a só um tipo de bronca, um tipo de paciência, um tipo de amor, um tipo de contato físico. Isso sufoca a criança. Quando a criança tem a possibilidade de ter dois estilos de pessoa responsáveis por ela, às vezes até mais, se você incluir os avós, ela conhece outros tipos de cuidado e afeto. É muito mais rico.

É comum pais ou mães usarem a guarda unilateral como uma forma de punir o ex-cônjuge?

ROSELY SAYÃO -Sim. Quando um homem e uma mulher se unem, cada um deles tem muitas expectativas em relação ao outro e a essa união. Em geral, essas expectativas são mais infantis do que adultas. E, ao contrário dos contos de fadas, dificilmente um casal é feliz para sempre. Quando acontece a separação, a decisão de não compartilhar a guarda de um filho é uma punição. Não pelo comportamento do outro, mas sim pela frustração de aquele cônjuge não ser como você desejava que ele ou ela tivesse sido. Mas a mulher nunca vai admitir: “Estou me vingando dele porque ele não foi meu príncipe”. É mais fácil criar justificativas, do tipo “ele não tem condição de cuidar do filho, ele não tem tempo para ir buscar na escola, ele não cuida bem”. Veja que são criadas questões objetivas, mas por trás há a mágoa. A separação no Brasil ainda não é vista com naturalidade no âmbito pessoal. Fica um peso, uma culpa. Daí a vontade de punir o outro.

Distância física entre as moradias dos pais ou a idade da criança podem ser impedimentos para a guarda compartilhada?
ROSELY SAYÃO -Não. Vamos imaginar um casal não separado, em que o marido mora durante a semana em outra cidade ou Estado, mas mantém um cotidiano de relacionamento com os filhos. Todos os dias, ou dia sim, dia não, eles se falam pelo computador, mandam mensagem. Se funciona para os casais unidos, por que não funcionaria para os separados? É possível que a guarda compartilhada seja efetivada mesmo a distância. É exigido, claro, ainda mais disponibilidade desse ex-casal para conversar civilizadamente. Se houver diálogo entre os dois, não importa se a criança mora numa cidade e o pai ou a mãe na outra. A gente tem uma ideia de que a guarda compartilhada são duas casas, meio a meio, e que só pode funcionar com a presença física. Mas isso não é verdade. É preciso considerar a outra figura, materna ou paterna, mesmo na ausência física. E a idade da criança não faz diferença nenhuma. A gente não manda nossos filhos para a creche desde muito pequenos? Por que então não poderíamos deixar um filho pequeno aos cuidados do outro cônjuge?

Existe alguma situação em que a guarda compartilhada não seja recomendada?

ROSELY SAYÃO -Apenas quando um dos pais tiver uma dependência química de qualquer tipo, ou em casos de abandono, descaso e maus-tratos. Fora isso, a guarda compartilhada é sempre a melhor forma de dividir os cuidados com os filhos, seja o casal separado ou não.

Written by danielbiologo2

novembro 8, 2014 at 6:04 pm

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Solução em Duas Rodas

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agosto 12, 2013 at 9:54 pm

Mudanças dependem de todos

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Mudanças dependem de todos

Pequenas atitudes, respeito ao direito coletivo, podem contribuir para a construção do Brasil melhor que as ruas têm bradado

Há um clima de desobediência civil latente no Brasil há um tempo muito razoável. Escrevi aqui sobre isso inúmeras vezes, fazendo referência a diversas atitudes do cotidiano que revelavam e revelam a insubordinação da cidadania às leis, às autoridades e às convenções sociais. Os exemplos mais gritantes estão no trânsito, com o total desrespeito às normas legais e às regras de civilização; mas é possível identificar muitas outras situações que tornam visíveis o desprezo generalizado à razão e ao interesse coletivo, com a predominância de certo individualismo nocivo e, em geral, muito perigoso. Agressão às normas ambientais, invasões e construções clandestinas, corrupção vertical e institucionalizada (o tal “jeitinho brasileiro” é a expressão mais gritante dessa prática), violência crescente e cada vez mais chocante, entre tantas mazelas que o noticiário despeja todos os dias em nossos corações e mentes. Assim, essas mudanças que muitos pedem nas ruas e redes sociais merece uma reflexão, à moda do advogado do diabo: até que ponto as pessoas querem mudanças sociais que beneficiem a todos, e não apenas ao seu mundinho particular, familiar ou corporativo? Até que ponto as pessoas estão dispostas a mudar suas práticas cotidianas para alcançar as mudanças que desejam? Um país melhor não depende do presidente, dos deputados e senadores, dos juízes, dos servidores públicos ou do guarda da esquina.

Por Carlos Damião na coluna ponto Final do ND Online

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julho 1, 2013 at 5:02 pm

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CUMPRA-SE A LEI SECA

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07 de maio de 2013 | diário Catarinense

EDITORIAL

CUMPRA-SE A LEI SECA

Captura de tela 2013-05-07 às 06.15.43

As blitze para assegurar a obediência à Lei Seca em Florianópolis serão incorporadas à rotina da cidade, afirma o secretário municipal de Segurança e Defesa do Cidadão, Rafael de Bona Dutra. Ele anunciou que, pelo menos três vezes por semana e sem prévia divulgação das datas, horários e locais, uma força-tarefa da Guarda Municipal, com auxílio da Polícia Militar e do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), estará nas ruas para delas retirar e punir os motoristas transgressores. Que a medida não fique apenas na promessa e tenha continuidade, pois os registros policiais atestam que os acidentes de trânsito causados por condutores de veículos embriagados estão em ascensão e não apenas na Capital.

Cabe razão ao presidente do Movimento Nacional de Educação no Trânsito (Monatran), Roberto Alvarez Bentes de Sá, que considera as blitze essenciais para garantir um trânsito mais seguro, mas adverte que elas “só surtirão efeito se realmente se tornarem permanentes”. E conclui: “Esperamos que não seja fogo de palha”. Assim pensam aqueles que se preocupam com a segurança da cidadania, e assim esperam todos os que desejam que o país adote um comportamento mais civilizado no trânsito, hoje uma das principais causas de morte no Brasil.

Não se trata apenas de punir. Esta seria uma ideia simplista e pouco eficiente. O objetivo é também conscientizar e educar os motoristas recalcitrantes. Destaque-se que a maioria dos autores (e vítimas) desses acidentes é formada por motoristas na faixa dos 20 aos 40 anos de idade, justamente o período mais produtivo da vida humana. Além disso, são incalculáveis os prejuízos materiais e os custos hospitalares e previdenciários provocados por esta insana imprudência.

Durante a madrugada do último sábado, uma barreira montada na Avenida Beira-Mar Norte, área de algumas das mais movimentadas casas noturnas da cidade e cenário de muitas “baladas”, abordou 200 veículos e submeteu 10 motoristas ao teste do bafômetro. Foi um ensaio produtivo. Na noite da véspera, foi realizada uma ação educativa na Lagoa da Conceição, bairro que também tem agitada vida noturna, na qual os motoristas foram alertados para o risco de dirigir sob efeito do álcool. Educar, fiscalizar e punir. Este é o caminho.

Em outras cidades de maior porte do Estado, como Itajaí, Joinville, Blumenau e São José, as blitze também foram intensificadas após as mudanças que tornaram mais severas as penas aos infratores. Não se trata de aumentar a arrecadação, como interpretam alguns, mas de salvar vidas e resguardar patrimônio público e privado. Vale o slogan: “Se beber, não dirija”. Não se trata de aumentar a arrecadação, como interpretam alguns, mas de salvar vidas e resguardar patrimônio público e privado.

 

Written by danielbiologo2

maio 7, 2013 at 9:17 am